sexta-feira, 1 de junho de 2012

Oração

Que a alegria de viver nunca me abandone.
Que meus sonhos sejam a força que motiva os meus passos.
Que nunca me falte amor, muito menos amizade.
Que o otimismo seja o sentimento que me mova.
Que a fé seja a minha mais íntima amiga.
Que quando algum mal me atingir, a esperança me segure a mão.
                             Que a verdade sempre esteja presente em  minha vida.
                              Que o meu sorriso seja a minha mais doce companhia.
                                                               Amém!

segunda-feira, 21 de maio de 2012








Nos caminhos da vida,
existem pessoas que deixamos,
morrendo de vontade de levá-las conosco.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E, têm dias, como os últimos, que só valem a pena por causa de um belo pôr-de-sol.


Foto: 3° andar, Bloco I, Escola Politécnica de Pernambuco, Recife, 11/05/2012, por Polly Moraes.

domingo, 22 de abril de 2012

Carta para Ninguém


Pois é, ultimamente, dei pra pensar no que não foi. Em tudo o que poderia ter sido, e não será. Sim, eu sei, você sempre me falou, isso não é saudável. Eu estou sempre olhando muito para trás, ou, então, olho muito para frente, de tal forma que eu nunca estou presente no presente. E agora eu vejo, você sempre teve razão, porque tudo passou (e passa), e eu aqui sempre olhando para o passado ou para o futuro, sempre só nesse tempo desregulado que é somente meu, somente meu.
 É certo, o tempo sempre me estendeu a mão e eu nunca a segurei. O tempo sempre quis ser meu amigo, me convidando a viver junto a ele para caminhar nessa vida a passos calmos, mas eu nunca permiti que me tocasse, eu nunca lhe dei a mão. Sempre quis andar só, nessa leviana pretensão de liberdade.  E quando mergulho no presente, experimento essa dor só minha, essa sensação de que tudo passou me atropelando, sem respeito algum por tudo o que eu sou. Eu sempre tratei o tempo como inimigo, eu nunca me aliei a ele, até porque só é feliz de verdade quem dá à mão ao tempo, e se entrega a essa amizade tão traiçoeira. O meu desejo mais profundo sempre foi ser atemporal. A maluca ideia de fugir do tempo foi ininterruptamente a minha mais secreta ambição. Tudo em vão, não é? O tempo caminha ao meu lado, mesmo que eu não veja (ou queira). Você sempre me avisou, e eu nunca lhe dei ouvidos.
E você me falava: eu estou ao seu lado. E esse meu medo de viver no presente, sempre me impediu de olhar para o lado e te ver, e ver a verdade que meus ouvidos escutavam pela sua voz. E não foi só assim com você, todas as pessoas que passaram por mim, desistiram de mim, pois eu nunca consegui caminhar do lado de ninguém, eu sempre estive fora do tempo. E quando eu resolvi olhar para o lado e viver de presente, você não estava mais lá, nem ninguém, apenas o tempo, com a mão estendida, me convidando a caminhar junto a ele para nunca mais eu me sentir só. E eu hesitei, uma vez mais, porque agora o que foi me toma de assalto. E desejo tudo que passou, pra viver, de verdade, dessa vez. E cometo novamente o mesmo erro, talvez seja o meu mais íntimo vício, fugir do tempo, viver do que foi e do que será sempre foi o ambiente mais confortável para me abrigar. E ir para zona de perigo nunca esteve nos planos.
O meu receio é que eu continue nesse ciclo, que continue na prisão do passado, ou que volte a ver somente o que será, e perca esse tempo que passa, que é o agora, que é, de fato, o que eu verdadeiramente possuo. Um outro receio é aparecer outros “você”, que me falem: “eu estou ao seu lado” e o meu medo de viver no presente, me impeça uma vez mais  de olhar pro lado e viver de verdade.
E eu tenho a esperança que um dia eu escute a sua voz uma vez mais, e, assim, consiga dar mão ao tempo, para eu nunca mais ser só.
Viver de presente e ser feliz, enfim.

segunda-feira, 9 de abril de 2012




E vamos nos deixando escapar, assim como água que escorre pelas mãos. Suave e imperceptivelmente.

sábado, 17 de março de 2012

Palavras.

         Existem palavras morando em mim. Há algum tempo, elas procuram alguma maneira de saírem por aí para brincar de ser livres. Elas têm andado por caminhos díspares, tentando, de alguma forma, encontrar uma saída, para enfim, viverem; mas sempre acabam por encontrar uma barreira, uma cerca, um muro.
Bem, palavras têm vida. Sim, isso é estranho, mas é a mais pura verdade. Elas ficam, por um tempo, guardadas dentro de nós e quando chega à hora, assim como uma mãe espera nove meses para dar a luz, elas nascem. Não, não que todas elas fiquem esse imenso tempo guardadas para poder ganhar vida. Não, cada palavra tem seu tempo. Tem umas que nascem em segundos, enquanto outras podem demorar uma vida inteira.
Mas depois de ditas, elas nunca mais morrem. Palavras são eternas. Após nascerem, elas, as palavras, já não são mais nossas. Sim, continuam a ser um pouco de nós. Porém, agora, elas serão o pouco de nós no outro. Vivemos no outro pelas nossas palavras. As palavras nos eternizam. Em minha concepção, é a melhor forma de viver pra sempre. Ser ouvido por alguém é ter a chance de viver eternamente, pois palavras, assim como o amor, transcendem ao tempo. Palavras não envelhecem ou se desgastam, pelo contrário, elas renascem a cada dia, e ficam cada vez mais belas. No entanto, falo de palavras de verdade, na verdade, palavras que dizem a verdade. Palavras que contam mentiras podem até provocar sentimentos, mas elas sempre morrem. Mentiras são abortos de palavras.
 E nem sempre as palavras precisam ser verbalizadas para nascerem. De algum modo, a gente sempre encontra alguém que consegue fazer o ‘parto’ das palavras na gente só de olhar. Esses ‘partos’ são mais raros, só que muito mais belos. E palavras ditas pelo olhar, sem a menor sombra de dúvidas, têm muito mais vida. Possuem um brilho especial e nunca são esquecidas. São palavras ditas no silêncio. Sabe aquilo de que o que é raro vale mais? Pois é. É bem isso.
As palavras são responsáveis por todo esse turbilhão de sentimentos que somos. Elas podem transformar seu dia, sua semana e até a sua vida. Quem nunca ficou feliz só de ouvir um punhado de palavras? Às vezes, até uma única palavrinha faz do seu dia o mais feliz. Mas, se por um lado, elas podem provocar infinitas alegrias; por outro, elas podem causar tristezas sem tamanho. Muitas palavras que nascem dos lábios e do coração do outro, nos ferem como faca afiada, e assim como as que nascem no olhar, elas nunca são esquecidas. Porque, de certa forma, elas também são belas, pois são fortes. E existe algo de belo no forte, como também existe beleza no frágil.
Como disse, cada palavra tem o seu tempo. Elas só nascem quando estão prontas para vir ao mundo e se eternizar. Talvez, essas que moram em mim há algum tempo, e que lutam ansiosamente para nascerem, não estejam prontas por completo. Talvez, elas sejam tão belas, que essa aflição no peito insiste em forçar o ‘parto’, até porque algo tão belo não cabe em um só coração. E quando chegar a hora, essas palavras ansiosas irão nascer, belas e prontas. E me eternizar em quem puder me escutar.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Tudo fora do lugar.

Tá tudo muito bagunçado. Tá tudo fora do lugar.
Centenas de sentimentos passeando em mim, uma mistura de sim's e não's, e muitos outros talvez's. 
Tá tudo muito, assim, confuso, meio sem rumo, sem ter pra'onde ir. 
Eu sinto muitas saudades. Saudades do passado, do presente, das pessoas que passaram e das pessoas presentes. Sinto falta até do que ainda nem aconteceu e das pessoas que ainda nem cruzaram o meu caminho.
Tá tudo muito, assim, complicado, meio doloroso, muito pesado pra carregar sozinha.
Tem muitas lágrimas querendo sair e muitos sorrisos querendo nascer. 
Tá tudo muito, assim, parado, meio sem-graça.
Tem muita nuvem no céu e uma sucessão de dias chuvosos.
Tem muita gente palpitando, e achando muita coisa e nem se movendo pra nada.
Tem umas dezenas de pessoas perto, mas longe. E outras poucas longe, mas bem mais perto que as do lado.
Tem muita solidão dentro de casa, dentro da cama, dentro mim.
Tem muito anseio bobo e muito medo ainda mais bobo brincando feito crianças faceiras dentro peito.
Tem muito amor querendo viver, e ainda mais paixão esperando para arder.
Tem faltado muita gente, e sobrado gente demais também. 
Tem faltado alegria nos dias e dias na alegria.
Tem muita verdade secreta, que se esconde em mim e até de mim. 
Tem muita mentira rolando solta, tem muita mentira que de tanto contar, acabo eu mesma a acreditar.
Tem todos esses dias só esperando pelo próximo.
Tem uma felicidade dormindo, e por mais que se grite, ela ainda insiste em cochilar.
É, tem faltado muito eu em mim. Faltado mesmo.
Tá tudo muito, assim, confuso. Tá tudo muito bagunçado. Tá tudo fora do lugar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Sem Título III

   Tinha um jovem senhor no banco da praça. Tão imerso em seus pensamentos como nunca vi ninguém estar. Seus cabelos brancos traduziam de certa forma tudo aquilo que tinha vivido. Seu olhar denunciava que ali, em sua mente, ele revivia cada momento que lhe tinha acontecido. Por vezes, um sorriso passeava em sua boca, como se uma estação preferida dançasse em sua frente; em outras, seu olhar ficava tão pesado, tão triste, que era difícil não desviar o olhar. Todo ele era vida.  A vida era toda nele.
   E aquela imersão em seu próprio ser trazia àquele jovem senhor de cabelos brancos uma beleza que só quem tem são essas pessoas que - mesmo com toda essa correria da vida que, cada vez mais, faz a gente remar pra longe de nós mesmos - conseguem mergulhar nessa imensidão de sentimentos que somos. Essa beleza que só tem quem consegue sempre estar ciente do tanto de trilho que ainda vai ser preciso caminhar para descobrir um 'eu', que talvez nunca se ache. Essa beleza que só tem quem já passou por poucas e muitas nessa vida, mas que mesmo depois de todos esses invernos, deixou nascerem novas primaveras muito mais floridas.
   Aquele jovem senhor de cabelos brancos era aquele tipo de pessoa que mesmo com o passar dos anos, com o enrugar da pele, com a diminuição da força física, com o tremer das mãos, com o branco dos cabelos, enfim, com todos esses ‘bônus’ físicos que a idade proporciona, conserva aquela beleza da juventude, que fica em algum lugar entre o olhar e o sorriso. Esse encanto que só com a chegada dos cabelos brancos que se descobre que se tem ou se tinha, pois tanta gente perde essa beleza em qualquer esquina, em qualquer decepção, em qualquer inverno... O jovem senhor trazia consigo aquela certeza que, aliás, é muita rara, de que envelhecer talvez não seja tão perigoso assim, tão triste assim. Entre seu olhar e seu sorriso passeava a satisfação de ter passado por tudo nesta vida e ainda conservar aquela alegria sagrada que só os ‘livres’ carregam consigo.
   Em seu olhar, aquele jovem senhor de cabelos brancos, carregava a garantia de que apesar dos pesares, e apesar do quanto são pesados alguns pesares, não há nada mais belo e milagroso do que a vida. Nada, absolutamente nada, é mais sagrado do que essa vontade de viver que, aliás, todo mundo nasce tendo. E que só quem conserva são aqueles que vivem em liberdade. E viver em liberdade não significa só ser livre do ‘outro’; viver em liberdade é algo bem maior, é estar livre de si mesmo, dos seus próprios preconceitos, das suas próprias frustrações. É saber curtir as flores, aprender a ‘dançar na chuva’, apreciar o cair das folhas no outono e sempre desejar novos dias de sol. O jovem senhor de cabelos brancos sabia que cada dia de sol, cada aroma das flores que lhe cruzaram o caminho, cada chuva que lhe molhou a face contribuíram para fazer dele um homem livre, e feliz, afinal.
   Não se pode afirmar se a vida teria trazido mais flores ou chuvas no decorrer das estações daquele jovem senhor de cabelos brancos, realmente, não se pode afirmar. A única certeza que podemos ter é que a vida morava nele, embora os cabelos brancos insistissem em dizer o contrário. 
   Naquele banco da praça havia um jovem senhor de cabelos brancos - livre e feliz, vale ressaltar.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Apenas Mais Uma História de Amor

   No princípio, eram dois olhares.
   Vagavam por aí, nesse mundão, um à procura do outro.
   Quando se encontraram quase que imediatamente reconheceram-se, como todo amor, aliás. E, como todo amor (caprichoso como ele só), os olhares brincaram de se evitar. Em parte pelo charme do jogo, em parte pela tradição do amor, em parte pelo receio de não ser correspondido. Porém, olhares como aqueles não suportam tanto tempo nesse jogo, olhares como aqueles geralmente necessitam-se. Pois bem, os olhares se entregaram. Já não sabiam mais ser sem o outro. Se procuravam em qualquer lugar por onde iam. E, de tanto se admirarem, reconheciam, um no outro, qualquer brilho de alegria, tristeza, ausência; qualquer sentimento, enfim.
   E quando os olhares já se tinham, foi a vez das mãos se desejarem. Uma delas, incerta, não sabia muito bem como agir. Por vezes, de tanta insegurança, gesticulava sem parar. Passeava longe da outra procurando desesperadamente uma maneira de se aproximar. A outra tampouco sabia como agir também. Ah, claro, ela não gesticulava tanto como a uma, mas não ansiava menos pelo toque. Suava gelado quase sempre. E o toque aconteceu assim, da maneira mais natural, como todo amor, afinal. A uma nem acreditava que tinha sido tão simples assim, tão natural assim. Foi aí que descobriu que não precisava de tantos planos, tantas mirabolices. A outra era sua, sempre fora. E o toque daquelas mãos, a uma na outra, era, sem a menor sombra de dúvidas, a melhor sensação que ambas haviam experimentado. E (como é de se esperar) a uma não largou da outra nunca mais, e a outra não largou da uma.
   E, ao toque das mãos, chegou o momento dos braços. Eles não tiveram que jogar jogo algum como os olhares, ou arquitetar tantos planos como as mãos, apenas se entregaram. E, assim como o toque das mãos, o abraço daqueles pares de braços se deu da maneira mais natural, como todo amor, enfim. Os pares de braços haviam encontrado o melhor abraço. Um par encontrou no outro o repouso ideal. Dentro daquele abraço, o um se sentia protegido, acolhido. O outro encontrou no um uma morada segura. E, como ímãs, aqueles pares de braços jamais cessaram aquele abraço. O um se encaixava no outro, e o outro no um.
   E depois do laço dos braços, houve o anseio das bocas. Desejavam-se assiduamente, era praticamente inevitável, como todos os amores, vale lembrar. Aquelas bocas gostavam mesmo de conversar uma com a outra. Uma tinha achado na outra o mais belo sorriso. A outra tinha achado na uma a mais agradável conversa. No entanto, ansiavam por bem mais do que vozes e sorrisos. Aquelas bocas precisavam experimentar os sabores uma da outra. E quando os lábios se tocaram, aquelas bocas conheceram a mais bela poesia. Aquele beijo parecia uma dança, uma conduzia a outra naquele doce ritmo, a outra deixava-se ser conduzida pela uma sem querer parar a música. Diante dessa espetacular sensação, jamais desejaram outras bocas, outras danças, outros beijos. Uma descobriu o mais doce sabor na outra, e a outra a mais bela melodia na uma, e vice-versa.
   E, como se pode imaginar, caro leitor, dois corações foram unidos. Não se pode afirmar exatamente em qual momento. Talvez, depois da união dos olhares, ou das mãos, ou dos braços, ou das bocas, ou ainda, talvez, os primeiros a se unirem. No entanto, o que menos importa é o momento em que esses corações se uniram, o mais importante é justamente a união. Aqueles corações não eram metades. Pelo contrário, eram dois inteiros. Sim, eles eram completos. Mas o amor os convidou a se somarem, e, como aventureiros, aqueles corações aceitaram. E quando eles disseram sim, aquele amor virou sagrado, como acontece em todo amor. Dois corações que somaram-se e tornaram-se um só, em dois. Um havia descoberto no outro um lugar para depositar sorrisos, o outro havia descoberto no um o apoio pra caminhar nessa vida, mesmo com as dores que ela nos dá. E de tão sagrado que era aquele amor, os corações, mesmo quando estavam longe, eram um só, em dois. O amor havia ensinado àqueles corações como tocar uma mesma canção, tão deles. Aqueles corações jamais se abandonaram. Um era sagrado para o outro, e o outro era sagrado para o um.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Conversas II

Ela: Então, por que você está aqui? Por que voltou?
(Silêncio)
Ela: Para saber se estou bem? Se estou feliz?
(Silêncio)
Ela: Posso até lhe falar que sim. Que estou bem, estou felicíssima. Se é o que lhe interessa.
Ele: E você não tem sentido a minha falta?
Ela: Mas o porquê da pergunta? É realmente importante?
Ele: Sim.
Ela: Não, eu não sinto a sua falta.
(Silêncio)
Ela: Eu sinto falta de nós dois. E isso é completamente diferente.